E se a gripe vier, o que fazer?

E se a gripe vier, o que fazer?
Leia as recomendações do Dr. João Dinis, da USF Novo Cuidar

Quando chega o inverno, começamos a ouvir falar da gripe, das urgências dos hospitais a abarrotar, da espera interminável no atendimento… Já vamos estando habituados. Será que esta situação terá mesmo que se repetir este ano? Malogradamente, diria que para este ano não prevejo que vá ser diferente e talvez nos próximos também não. E não é por pessimismo que o digo mas pelo conhecimento que tenho da situação. No meio médico há um neologismo que a muito custo está a tomar o seu lugar. Esta nova palavra quando for compreendida e posta em prática pelos médicos e assumida pelos utentes, então sim, creio que será o princípio do fim do caos nas urgências hospitalares no inverno – para não dizer de muitos outros problemas de saúde das pessoas. Essa palavra é empoderamento (do inglês “empowerment”). Passo a explicar. Dentre as múltiplas tarefas de um médico, encontra-se a de habilitar os seus doentes a saberem lidar com as doenças: como as prevenir, como fazer quando elas surgem, como realizar o tratamento proposto, entre muitas outras coisas.

O médico ao transmitir conhecimentos práticos ao utente aumenta o poder deste para lidar bem com a sua saúde e a sua doença, para se tornar mais autossuficiente em matéria de saúde. E no assunto da gripe, onde é que o empoderamento nos levava? Levava, por exemplo, a que nenhum utente com sintomas de gripe saísse de casa para ir à urgência do hospital sem antes telefonar para a Saúde 24; levava também a que a generalidade dos utentes com gripe soubesse exatamente quando se automedicar, o que tomar e quando procurar cuidados médicos. E a muito mais: a distinguir a constipação e a gripe de doenças mais graves; a perceber como se é contagiado pelo vírus da gripe e como evitar de o transmitir a outras pessoas - apenas a título de exemplo.

Aproveitando o ensejo, deixo algumas indicações práticas:  Os espirros, a tosse, a dor de garganta e o nariz a pingar são comuns à gripe e à constipação, sendo a febre e as dores no corpo mais sugestivas da gripe. 

Deve procurar ajuda médica se:

1- Tem febre há três ou mais dias, ou

2- Tem falta de ar, ou

3- Sente-se muito doente e a piorar, ou

4- Não consegue ir trabalhar devido à doença e precisa de baixa. 

Se for possível, mesmo nestes casos, primeiro telefone para o Centro da Saúde ou para a sua USF a solicitar consulta. Em alternativa e sempre que tenha dúvidas quanto à melhor forma de atuar ligue para a linha Saúde 24 (808 24 24 24). 

Nas situações de maior gravidade, ligue para o 112 em vez de se deslocar ao Serviço de Urgência.  Se não se encontra em situação de precisar de cuidados médicos de imediato, pode aliviar os seus sintomas com alguns medicamentos de venda livre: “paracetamol” ou “ibuprofeno” para a dor e febre e “acetilcisteína” para a tosse.

E não esqueça: na sala de espera do serviço de urgência há muitos doentes com vírus à espera da próxima vítima: você; não vá lá se o poder evitar, pela sua saúde!

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