“Entrou na urgência com sinais de AVC e saiu com um calmante”

“Entrou na urgência com sinais de AVC e saiu com um calmante”

Família de Queimadela acusa Hospital de Guimarães de negligência médica. Homem de 55 anos procurou urgência de Guimarães com perda de fala e de visão, paralisia facial e desorientação, sendo-lhe diagnosticada uma crise de stress como a causa desses sintomas que não seriam impeditivos de fazer uma viagem de trabalho à Belgica.

Horas depois, foi internado de urgência nos cuidados intensivos coronários de um hospital em Bruxelas, vítima de um AVC. 

 

“É com grande indignação e vergonha pelo Serviço Nacional de Saúde português que a partir da unidade de cuidados intensivos de um hospital em Bruxelas vos relato um episódio de extrema negligência médica em que a vítima, por acaso, é o meu pai”. É desta forma que Ana Pereira estabelece contacto com este semanário, para nos dar a conhecer o caso ocorrido com Francisco Pereira, de 55 anos, natural de Queimadela, que recorreu à urgência da unidade de Guimarães no passado dia 20 de Janeiro, depois de se sentir indisposto e com sinais que lhes pareciam ser indicativos da iminência de um AVC, Acidente Vascular Cerebral. Segundo Ana, após dar entrada nas urgências, a triagem identificou o seu problema como um possível acidente isquémico transitório. Contudo, depois de “observado por dois estagiários de medicina que o submeteram (apenas) a um electrocardiograma e após o resultado”, terá sido excluída essa hipótese e fora, ao que disse, apontada uma crise de stress como a causa desses sintomas. “O médico responsável por estes dois estagiários confirmou o diagnóstico, mandando o meu pai para casa com um calmante, sem qualquer prescrição médica, e ainda assegurando-lhe que o episódio sucedido em nada comprometeria a viagem de avião que ele devia fazer no dia seguinte”, declarou ao Notícias de Fafe. Francisco Pereira regressou a casa “com a certeza que os sintomas ainda persistentes não eram mais do que consequências de um episódio de stress isolado” e partiu  para a Bélgica numa viagem de trabalho.

Já na Bélgica, Francisco foi internado de urgência nos cuidados intensivos coronários de um hospital em Bruxelas “com a certeza de que há várias horas estava a sofrer um AVC, Acidente Vascular Cerebral”, disse a filha, encontrando-se numa situação de saúde muito crítica, e de incerteza relativamente à reversibilidade dos danos.

O Centro Hospitalar do Alto Ave, confrontado pelo NF, esclarece que o doente “foi visto por dois especialistas e não por estagiários” embora admita ser possível que “a equipa que o observou incluísse internos em formação, situação que é habitual num hospital escolar”. Afirmam no entanto que “o diagnóstico foi o correto, tendo em conta os sinais e sintomas que o doente apresentava” e que o “tratamento foi o adequado ao caso clínico” tendo tido alta “com indicações importantes: cumprimento da medicação habitual e explicação de sinais de alarme, devendo recorrer ao Médico de Família”, precisa o hospital.

A família encontra-se na Bélgica dada a situação delicada de Francisco mas garante que quando regressar vai apresentar queixa.

 

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