O contributo fafense para a equipa do momento

O contributo fafense para a equipa do momento
O fafense António Castro e Cunha é o médico do Moreirense FC, vencedor da Taça da Liga em futebol

O Moreirense FC é a equipa do momento. A formação de Moreira de Cónegos venceu a Taça da liga e deixou o país futebolístico de boca aberta. Para esse sucesso também contribuiu um fafense. António Castro e Cunha, 33 anos, licenciado em Medicina pela Universidade do Minho, especialista em Medicina Física e de Reabilitação e Medicina Desportiva, é o médico da equipa de futebol.

NF - Qual foi o seu percurso até chegar até aqui?

ACC - Sempre fui um apaixonado pelo desporto em geral (pratiquei natação durante 10 anos na ADF) e desde novo sigo com atenção praticamente todas as modalidades (como fafense sempre segui com especial atenção não só o futebol mas também o andebol, obviamente). Tal como a grande maioria, em jovem gostava de ter sido futebolista. Como a qualidade definitivamente não abundava nos pés, tenho assim o prazer de contribuir para os poder ajudar fazendo algo que gosto. Na altura da escolha de especialidade optei por aquela que estava mais ligada à área da patologia músculo-esquelética e que me poderia futuramente abrir mais oportunidades de trabalhar no desporto (escolhi fisiatria pois à data, a Medicina Desportiva não existia em formato de internato como actualmente). Comecei a trabalhar então em Lisboa e aí tive a oportunidade de acompanhar o departamento médico da Federação Portuguesa de Atletismo e foi onde tudo começou.

NF - Como é que se deu a entrada no mundo do futebol?

ACC - Posteriormente regressei de Lisboa para o Norte e comecei a trabalhar em Braga. Aí começou a aventura no futebol com o meu mestre e primo, Dr. André Castro, que era o responsável do departamento médico do Moreirense FC. Infelizmente, uma doença oncológica fatal afastou-o do nosso trajecto, juntos, e coube-me a mim continuar o seu trabalho.

NF - O que é que o fascina na medicina desportiva?

ACC - Aquilo que torna fascinante o trabalho no clube é o alto rendimento. A constante exigência de cumprir os prazos de recuperação "ideais" sempre tentando estar actualizado nas últimas inovações, a antecipação dos problemas com o trabalho de compensações para prevenção de lesões. A volatilidade da situação clínica dos atletas também é desafiante e imprevisível. Tanto hoje estão todos disponíveis como no dia seguinte tens jogo e estão uns quantos atletas em dúvida para tentares recuperar. Ou então teres 15 minutos ao intervalo para intervir e conseguir recuperar um atleta. Sobe bastante a adrenalina.

NF - Como é viver os jogos de futebol no banco de suplentes?

ACC - Em primeiro lugar, convém não esquecer que estou lá como profissional e o meu papel principal é cuidar dos homens que estão em campo. Obviamente que a adrenalina do jogo e uma percepção mais completa de toda a envolvência tornam o jogo o momento-chave de todo o trabalho da semana e sempre vividos com muita emoção. Por vezes há situações em que é difícil não se comportar um pouco como adepto mas acho que é isso que pretendes com essa pergunta...

NF - Como é que viveu esta conquista do Moreirense?

ACC - Foi uma situação absolutamente incrível. Honestamente seria mentiroso dizer que estava a contar. Estava a ser uma época complicada em termos de resultados apesar de boas exibições. De repente tudo se conjuga, jogamos muito bem e superamos todas as expectativas e quando nos apercebemos conseguimos o impensável. Foi uma alegria indescritível. Desatei a correr pelo campo feito louco quando acabou o jogo! isto é o desporto e porque gosto tanto dele.

NF - Gostava, um dia, de poder trabalhar em Fafe?

ACC - Neste momento é pouco provável pois os locais em que estou actualmente (Taipas Termal e MinhoSaúde) continuam em crescimento e têm condições que como responsável estou muito orgulhoso naquilo que temos conseguido desenvolver. Nesta fase sinto-me muito confortável onde estou. Obviamente que como fafense gostava de trabalhar na minha terra. Talvez um dia isso aconteça.

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