Neste momento, está a trabalhar na Bélgica na construção civil. Sinto a minha vida um pouco estranha, porque não vejo o meu pai no meio dos outros pais nas reuniões da escola, nas festas de aniversário, nas missas da catequese e dos escuteiros... e também não sei responder aos meus amigos quando me perguntam sobre o meu pai. Só pelo Natal, pela Páscoa e pelas férias grandes é que ele regressa para nos visitar. Costumamos passear, ir jantar pizzas, comer gelados, jogar à bola, ver filmes, brincar em conjunto... Eu gostava muito de ir morar com o meu pai na Bélgica, porque gosto muito dele. Sei que ele trabalha muito para poder ter dinheiro para nos levar, a mim e aos meus dois irmãos, para junto dele. Mas nunca mais chega esse dia. Às vezes de noite, depois de chegar o sono, sonho com esse dia: ele a chegar de carro, a pegar nas nossas malas, a irmos até ao aeroporto, embarcar para esse país que tanto ouço falar e recomeçar uma vida junto dele. Quero que ele me ajude a entrar para o exército e depois seguir uma carreira como polícia, para prender os maus e fazer justiça.
Rodrigo (11 anos)

