Obra biográfica de Manoel Cardoso debaixo de fogo

Foto: Manuel Meira Correia - CMF Obra biográfica de Manoel Cardoso debaixo de fogo

Alguns sectores da esquerda fafense não ficaram indiferentes à apresentação da obra “O Rosto da Verdade” – A vida e obra de Manoel Cardoso, ex-presidente da Câmara Municipal de Fafe entre 1952 e 1966, anos do regime ditatorial que era reinante em Portugal.

O livro foi escrito a duas mãos, por um dos filhos, o jornalista e advogado José Manuel Ribeiro Cardoso e pelo historiador, militante do PS e Chefe de Divisão na autarquia fafense Artur Ferreira Coimbra. Na apresentação desta obra estiveram também presentes outros destacados militantes e dirigentes socialistas, tais como Laurentino Dias, José Ribeiro, Pompeu Martins, o actual presidente da autarquia, Raul Cunha, entre outros. A própria autarquia associou-se à apresentação cedendo a Sala Manoel de Oliveira e emitindo convites formais, para a sessão de apresentação. Estas presenças e a colaboração do município caíram mal em alguns sectores do partido e as críticas são personificadas pela voz de Francisco Lemos, líder do PS/Fafe. “O livro é de autor e o valor científico do mesmo não é criticável da minha parte porque não sou historiador nem sequer quero criticar o autor que tem toda a liberdade para o fazer. A questão é pessoal, como socialista, e se acho que deve haver participação socialista nestes eventos, acho que não. Tenho família que esteve exilada no antigo regime e estes assuntos tocam-me”, começou por afirmar Francisco Lemos, ao Notícias de Fafe. O líder do PS/Fafe salienta que “houve muitos socialistas que me manifestaram desagrado e indignação ao ver a presença de socialistas naquele local. Percebo essa indignação local porque me foi dado a conhecer quem era o prof. Manuel Cardoso e pelo que me disseram era a mão visível do regime salazarista e essa indignação é aceitável”. No que diz respeito ao apoio do município na apresentação do livro, Lemos disse que “tem que ser questionado aos próprios, nomeadamente ao vereador da Cultura. O presidente da Câmara não é militante e por isso não está neste rol. Como socialista não estaria neste evento, muito menos em representação do PS. Um livro de biografia do regime salazarista em Fafe não devia contar com a presença de socialistas nem ter associada uma Câmara gerida por uma lista do PS”, sublinhou.

 

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