'Estroina'
Os Estroina são formados pelo vocalista Sandro, pelo Rui nos instrumentos de sopro, pelo Licínio na guitarra e outros instrumentos tradicionais, pelo baixista Ricardo, pelo baterista Hugo e ainda pelo guitarrista Paulo Carvalho. Ultimamente têm andado um pouco afastados dos palcos, mas a justificação é a melhor: “estamos a gravar o nosso primeiro EP” que deverá ficar pronto para o próximo mês. Estroina significa bom vivão, um boémio e é assim mesmo que os elementos desta banda se sentiam quando a criaram. “Na verdade hoje também, não é por causa das nossas responsabilidades que isso mudou” . Seguindo “o vício de tocar” a banda formou-se em 2006, inicialmente composta apenas por Sandro e Rui, mas amigo puxa amigo e tornaram-se no grupo que são hoje. Das muitas atuações que já fizeram tanto por Fafe como por fora, salientam o palco novos valores da Festa do Avante. Depois de ganharem um concurso de âmbito nacional os Estroina tiveram a oportunidade de lá tocar resultando no concerto mais marcante para a banda, “começámos com cerca de cinquenta pessoas e quando acabámos tínhamos três mil todas eufóricas”. Apesar de cada um ter o seu gosto pessoal, consideram a banda Noir Désir o denominador comum para o tipo de banda que querem ser, sempre ambicionando um “ser como eles, ou tocar com eles”. Cantando unicamente originais, os Estroina falam de dois métodos de criação: “Ou o Sandro traz uma ideia de uma canção ou uma letra e a gente tenta musicar aquilo. Ou também acontece às vezes estarmos a tocar e surge a música e depois o Sandro tenta criar a letra . Funciona das duas maneiras. Normalmente a ideia da canção já aparece ou a base mas depois quando todos pegamos na música fica sempre diferente da ideia original.” Sob o lema “Sem vocês não somos nada”, os Estroina agradecem a quem sempre os acompanha sempre. No entanto queixam-se da falta de interesse da cidade; “Claro que Fafe não tem grande universo (...) mas por isso mesmo convinha mudar as coisas, até mesmo cativar pessoal de fora”. A banda elogia o trabalho do vereador da cultura que apesar de todas as criticas “dá muito apoio à música”, no entanto o único apoio que as bandas recebem é ao “nível da divulgação e de novos eventos onde possamos tocar”. No entanto dizem que já uma melhoria visto que “até há data éramos nós que tínhamos de pedir para nos deixarem tocar”. Juntam-se às outras bandas e pedem um espaço para tocar uma vez que “faz falta a todos” ou uma formatação daquelas salas de espetáculos que existem para que todos possam usufruir delas. Sobre a música que anda a ser feita no país mostram-se um pouco reticentes com quem opta pela língua inglesa porque acabam por fazer aquilo “que já foi feito mil vezes e apresentado de mil maneiras diferentes”. Os Estroina veem o português como uma forma de manter a identidade pessoal e acreditam que daí podem surgir projetos “interessantíssimos”. “Na realidade isto não passa de uma opinião e quem canta em inglês terá a sua e obviamente que tem a razão do lado deles. Cabe ao público decidir se acha piada ou não.” Os Estroina andam mais afastados dos palcos uma vez que têm perdido mais tempo em estúdio para gravarem o seu primeiro EP. “O objetivo é acabá-lo para meados de Fevereiro”. Devido à dificuldade que têm em se juntar, optaram por gravar o EP de forma caseira. “Por enquanto estamos contentes com o resultado. O trabalho final vai ser avaliado pelas pessoas”. A banda acredita que o EP lhes abrirá portas para novos palcos e funcionará como ferramenta de divulgação. “É muito difícil no meio em que estamos, no nosso país, é mesmo difícil mas há sempre uma esperança de que tenhamos alguma sorte.”
'Guitarra e a Contrabanda'
Guitarra e Contrabanda é uma banda de Fafe que começou como um projeto a solo de Nuno Marinho. O Notícias de Fafe teve a oportunidade conversar com este jovem músico que vive entre Portugal e Espanha numa constante tentativa de se fazer ouvir: “Há sempre esperança, mas ainda há muito para fazer.” Nuno era chamado de Guitarra ainda antes de saber tocar este instrumento: “é um nome herdado do meu pai”. Este foi o nome escolhido quando se lançou na música, mas foi chamando uns amigos para o seu projeto; “contrabanda foi o nome que arranjei para as pessoas que me acompanham. Como vivo na fronteira, funciono um pouco como um contrabandista de canções.” O seu irmão Hugo tem a seu cargo a bateria, enquanto que o amigo Ricardo se encarrega do baixo. Eles “são a espinha dorsal deste novo projeto, mas depois está sempre aberto a novas pessoas que se queiram juntar. (...) Como viajo muito e ando sempre de um lado para o outro vou sempre conhecendo mais pessoas que acabam por aderir”.
O projeto musical começou com Nuno a tocar na rua “um dos locais onde mais toco durante todo o ano”. Em Fafe apresentou-se primeiro a solo no multiusos e depois no Xmas Rocalhada de 2012 já com a Contrabanda. A partir daí foi sempre fazendo coisas novas e com várias pessoas. A criação das músicas parte sempre do Guitarra, “a música é o meu trabalho e eu acredito que essa criação deve partir de mim” no entanto “quando estou com a contrabanda, há sempre uma transformação independentemente de com quem toco”. Nuno não consegue explicar como cria as suas músicas, simplesmente surgem quando quer explorar uma ideia ou tem de exprimir algum sentimento. “Pode surgir de uma ideia qualquer sobre a qual quero falar e começo a investigar, mas posso levar anos e não chegar nunca a concretiza-la. Mas há outros momentos em que a música me surge, não sei lá de onde vem, mas fica feita em duas horas.” Quanto aos covers que faz sente um turbilhão de emoções: “já pensei realmente se deveria faze-lo e cantar músicas do Zeca porque a música em si já é forte o suficiente e não precisa de interpretações de mais ninguém, mas no fundo a música precisa de ser transmitida para outras gerações e outras pessoas e de ser entendida e às vezes faz falta voltar a cantá-las para que cheguem mais longe. A pergunta que se coloca é ”por que é que o faço?” mas na realidade também é “e por que não o hei- de fazer?”
Com um EP já feito, os Guitarra e Contrabanda dizem que não lhes mudou muito a vida, porque para conseguir maior visibilidade “tem de ser através de um contacto” ou “haver algum tipo de interesse”. “Uso principalmente o EP para que possa partilhar a minha música com outras pessoas. Na rua, por exemplo, há alguém que vive um pequeno momento especial comigo e com o EP tem uma oportunidade de levar uma amostra daquilo que eu faço para casa e de me ouvir quando quiser.” Neste momento a banda está a gravar um álbum que deverá sair para final de fevereiro. Nuno diz que a música nunca foi um mero passatempo: “Houve sempre uma necessidade física e psicológica de me relacionar com a música”.
De uma forma geral, os Guitarra dizem que o único apoio que têm é dos amigos e que por mais falta que faça algum tipo de apoio material, queixam-se principalmente da não valorização da música que é feita em Fafe por parte da Câmara. Quanto ao público diz que interesse há sempre, o problema é não haver hábito. Hábito esse que deveria ser “um desenvolvimento individual de cada um, mas também um projeto coletivo de todos”. Relativamente à música que anda a ser feita no país o criador deste projeto não tem dúvidas em dizer que “há muita gente no bom caminho”, no entanto não são famosas mas isso não as impede de serem “grandes músicos com grandes obras”. Para Nuno “o potencial baseia-se na sinceridade com que fazes o teu trabalho”. O problema diz ser dos mercados da música que são controlados por “pessoas que não entendem o que é música e que são movidos por factores económicos” tornando assim não só a música, como todas as artes num “mundo mesquinho”. Nuno diz que ainda há que trabalhar muito, no entanto o que não falta é “gente que quer e está pronta para desenvolver esses novos projetos pelo país inteiro (...) o único problema é que as pessoas se têm de sacrificar por algo que cá não tem qualquer possibilidade porque não há uma noção do que é o conceito artístico”.

