JU
JU é um projeto musical que tem a artista Joana Yorke como vocalista. Joana não teve qualquer formação em canto, tendo estudado dança clássica. Na altura de escolher o curso universitário Joana percebeu que “não podia sair de cima do palco, não podia trabalhar das 9h às 17h como uma pessoa normal porque não faz parte da minha essência”. Por esse motivo tirou teatro e artes performativas, tendo descoberto a paixão pela música numa cadeira da faculdade. Quando viu o casting para a JU decidiu arriscar. Quando foi selecionada para o casting final descobriu quem eram as pessoas por trás deste projeto: João Nobre, baixista e fundador da banda Da Weasel e João Monge, um letrista de Rui Veloso, Camané ou Ala dos Namorados. Assim que o projeto arrancou tinham de decidir um nome. “Eu queria sempre manter o meu e eles diziam que não, que isso era coisa de fadista e que tinha de ser uma coisa mais curta e mais rápida” Depois de muitas hipóteses surgiu JU que foi aceite em consenso. Com um álbum gravado e alguns concertos dados, este projeto foi deixado em stand by devido a desentendimentos profissionais. No entanto Joana continua a lutar para que possa viver daquilo que lhe dá prazer, a música. A cantora começou a dar concertos em que apesar de se apresentar como Ju “na realidade quem está ali é a Joana uma artista mais abrangente” que procura sempre agradar a quem a vê. Por isso aposta em muitos covers além das músicas do seu álbum; “Eu gosto de mostrar sempre um bocado de tudo e o Zé é um rapaz porreiro nessas coisas que basta pedir e ele aceita.” Os concertos de Joana são mais intimistas, apresentando-se em acústico e tendo por isso que adaptar as músicas, no entanto não há qualquer receio de mexer numa música de outra banda uma vez que tudo é “feito com o coração”. Joana também é criadora de músicas no entanto diz tê-las “bem guardadas” e não tenciona mostra-las tão cedo porque “já são muitos nãos durante muito tempo em coisas que eu considero boas, como é o caso do álbum da JU”. Joana diz que o problema de tantas recusas talvez seja por esses projetos serem “coisas com tutano, que fazem pensar. Uma grande maioria das pessoas parece não gostar de pensar, gostam da papa feita e por isso se consome o tipo de música que se consome hoje”. Joana mostra-se desiludida com toda a situação musical no país, principalmente com a sua situação pessoal “sou mais uma neste país que arduamente descobriu que é muito complicado ser artista!” E não se diz muito esperançosa com a mudança, uma vez que tudo parte dos hábitos e da educação das pessoas que não se preocupam com as artes. “É muito complicado, há uma coisa inexplicável que se passa com o pessoal português e eu vejo isso em pequena escala cá em Fafe. (...)Quando se faz algo em Fafe, grande parte das pessoas não sai do café. Não aderem nem colaboram nos eventos criados”. O futuro é muito incerto e Joana e Zé não sabem quando voltarão a apresentar-se ao público. “É um assunto que me deixa mesmo triste por não poder mostrar o que é de facto meu e não o fazer porque ninguém me dá essa oportunidade.” Joana diz que a música é a sua vida, mas que se tiver que deixá-la de parte “não me consigo imaginar num emprego normal, com um horário fixo. Prefiro por exemplo viver uma vida simples no campo à parte do sistema. Sou completamente contra a robotização das pessoas. Eu nasci assim e ia ser muito infeliz se me convertesse no que é suposto. Essa não é a Joana.”
PROGETO APARTE
Oriundos de Fafe e formados desde Maio de 2010, os PROGETO APARTE nasceram de uma conversa de café entre amigos, e da ideia de fazer uma banda acústica, de leve porte, com um estilo festivo e boémio. A banda foi crescendo com a entrada de outros membros, iniciando um conjunto de actuações denominado “EL CAMINO ES MUY LONGO HASTA LA CAMA... ”, que os levou a actuar por todo o lado, desde bares, festas, tascas aos mais diversos Festivais de Musica, Teatros, Queimas de Fitas, quatro Festas do Avante, Espanha , França etc., tendo vindo a conquistar à sua passagem uma vasta legião de fãs.
O Português, francês, Italiano, Inglês e Espanhol são as línguas utilizadas numa mescla multicultural, em cuja mistura sobressai a personalidade de música universal da banda.
Ao longo dos anos, alguns elementos foram abandonando o grupo, neste momento os Progeto Aparte são compostos por 7 pessoas, Patrick é o vocalista e guitarrista, o Pastilhas no baixo, o Palhaço na bateria, o Hugo nas precursões, o Tiago na flauta transversal, o David nas segundas vozes e precursões, e o Aníbal tem dado uma ajuda no trombone e acordeão enquanto não arranjam alguém definitivo. No inicio tocavam músicas de bandas que gostavam “reinventando-as e tocando-as num estilo nosso muito próprio”, no entanto de há um ano e meio para cá começaram a compor originais que cantam em português, inglês, francês, italiano e na maioria espanhol “porque gostamos muito da cultura sul americana”.
É Patrick quem cria grande parte das músicas. Primeiro vem a melodia e só depois a letra. “Para mim a mensagem dos Progeto, é um pouco interventiva, mas sempre com esperança. São músicas com as quais queremos sempre transmitir alegria, atitude positiva em relação á vida, ao presente, que é a única coisa que estamos eternamente condenados a viver”
Questionados sobre apoios ou falta deles, Patrick diz que nos últimos anos as coisas têm melhorado , mas pode se fazer sempre mais , no entanto, os Progeto Aparte não dão grande importância a isso. “Não precisamos de estar à espera que alguém nos venha apoiar. Tudo o que temos é nosso. Há muita gente que se queixa, mas eu acho que se queres fazer uma coisa, fá-la”. Além de não procurarem ajudas também não procuram a fama. “As coisas acontecem naturalmente, não andamos à procura de fórmulas para o sucesso. Por acaso fomos sempre muito bem recebidos, por onde temos passado, as pessoas adoram-nos e querem que voltemos lá, ao longo destes anos temos conhecido gente fantástica, a Família continua de crescer”.
Depois de 5 anos a correrem Portugal de uma ponta a outra, de passarem quatro vezes pela Festa do Avante e andarem por França e Espanha a dar concertos, estão agora um pouco afastados do palco e com umas mudanças dentro da banda, mas Patrick diz estar “super esperançoso. Isto é andar para frente e não para trás!”. Foi uma opção pensada parar por uns momentos para que se pudessem dedicar ao álbum em que estão “mesmo empenhados”. Depois disso só querem “regressar à estrada e tocar, porque é aquilo que mais gostamos, queremos com este álbum continuar aquilo que já iniciámos , saltar fronteiras, França e Espanha, viajar.” Completa, “Depois de ganhares o vício do palco, não queres parar, há sempre fome de mais. Não importa a ribalta ou algo do género. O que interessa é aquela experiência com o público… , por isso aguardem, brevemente voltamos a encontrar-nos Per La Strada, até lá… Sejam Felizes".

