RIVALIDADE ENTRE IRMÃOS

RIVALIDADE ENTRE IRMÃOS
É comum os irmãos andarem sempre “às turras” e, ao mesmo tempo, serem melhores amigos. Contudo, não é pelo facto de a situação ser banal que os pais têm que passar bem com ela.

A rivalidade entre irmãos é um grande stressor do dia-a-dia da família. É angustiante para os pais não só o barulho e caos que os irmãos podem instalar com as discussões, como também frustrante ver ambos os filhos zangados, naquele momento. Sem explicações rebuscadas sobre ciúmes, complexos, alianças e triangulações, importa saber o que fazer para minimizar a reincidência das discussões e tornar o ambiente mais calmo. Além de estratégias imediatas, é preciso cuidar de todo o ambiente que reina no lar:

1. Os adultos devem ser capazes de manter um ambiente de calma e paz; as discussões de adultos deverão ser cuidadosamente geridas para não expor as crianças a tons exaltados e palavras menos delicadas;

2. Apesar da sempre presente tendência para se comparar os filhos (“com a idade do João, o Francisco já se vestia sozinho!”), tal não deve ser proferido junto das crianças, sob pena de se instalar um clima em que comparações e competição são aceites. Como medidas mais imediatas pode-se, após a “poeira baixar”, chamar os irmãos a um local de reunião (sofá, mesa, tapete...) em que se deverá abordar o que aconteceu. O mais importante não é encontrar culpados nem impor autoridade. O que se pretende é que as crianças percebam: - o que sentiram; - o que fizeram ao sentir-se assim; - e o que o outro sentiu quando ripostaram.

Exemplo:

Filha- “Fiquei enervada porque ele me estragou a boneca!”

Filho- “Eu não estraguei, só a atirei porque queria estar sozinho e me incomodaste!” O adulto deve servir de mediador para deixar todos os irmãos se expressarem e fazê-los perceber melhor a situação. Não interessa pedir desculpa, interessa entender que sentimentos nos provocam que reações e encontrar, em conjunto, soluções para o futuro.

Pai- “Neste caso o que podemos fazer?”

Filha- “Ele que me diga quando quer estar sozinho sem ser agressivo.”

Filho- “Mas ela tem que cumprir com o meu pedido!”.

Pai- “Muito bem, numa próxima situação o Pedro avisa com palavras que quer estar sozinho e a Andreia terá que deixá-lo estar. Concordam?”

Se não for possível uma solução em conjunto, então deverá ser o adulto a sugerir uma alternativa. Esta estratégia não tem resultados imediatos. Será preciso reunir várias vezes até o novo comportamento começar a “entranhar-se” nas crianças. Se num momento mais crítico os irmãos não conseguirem mesmo conviver, durante esse período deverão brincar apenas separadamente até sentir que a fase mais aguda passou e se podem tolerar. Pai- “A vossa relação é mais importante do que a playstation, por isso enquanto eu perceber que vão entrar em conflito quando jogam, ela fica guardada!”

Dra. Patrícia Von Doellinger

Psicóloga de Crianças e Jovens

Yield Saúde

Pub.

Pub.

2026 ©NOTÍCIAS DE FAFE ® - Todos os direitos reservados