TUDO BONS GESTORES

TUDO BONS GESTORES
(Ou “Tudo bons Líderes”? ou ambos?)

Em meados dos anos 80, Warren Bennis e Burt Nanus, respetivamente, autor e co-autor do livro: “Leaders: strategies for taking chance”, após entrevistarem 90 CEOs de empresas norte americanas, chegaram à conclusão que a maioria das organizações estavam sobre-gerenciadas e sub-lideradas. Do estudo realizado constataram que a maioria das empresas empenhavam grande esforço no exercício de controlar e muito pouco no de direção efetiva. Os relatórios dos gerentes não passavam de letra morta de burocracia corporativa revelando, simultaneamente, a frustração das escolhas tomadas sem a orientação de um propósito comum. Foi sensivelmente a partir dessa altura que se iniciou a discussão focada nas diferenças entre um gestor e um líder. Dizia-se que o gestor estava ligado ao controlo da complexidade e o líder ao da produção de mudança útil. Mas será que quem gere não tem, simultaneamente, a capacidade de liderar e vice-versa? Será a liderança uma capacidade inata apenas a alguns iluminados?!? Inquestionavelmente, quando pensamos em líderes mundiais vem-nos logo à cabeça personalidades como Bill Gates, o discreto pioneiro da Microssoft, Steve Jobs, o co-fundador da Apple Inc. Na política, temos o exemplo de Churchill, de Gandhi, mas também de Hitler. E por aí adiante, podendo os líderes surgir das formas mais variadas. Porém, mais que a “eleição natural” de um líder, constatamos que a liderança existe porque o pensamento de grupo não tem dimensão ontológica! Logo ao grupo não corresponde um ser que tout court assegure a sua autodeterminação. A liderança é a atividade que responde à questão da determinação coletiva de modo a preservar e a criar valor para essa mesma coletividade. Mas, e os gestores também determinam pessoas e equipas?! Então um gestor também pode ser um líder! Quero com isto dizer que a distinção entre líderes e gestores deve servir mais para acentuar o perfil e as competências de liderança do que propriamente para separar o papel de um gestor da de um líder. Neste conciso, dir-se-á que o líder tem a capacidade de melhorar constantemente o nível da sua equipa, através da avaliação, orientação (coach) e incutindo autoconfiança. O líder certifica-se que a sua equipa não conhece apenas a visão da empresa, mas que a vive e respira. O líder contagia e transmite energia positiva e otimismo. O líder estabelece confiança com franqueza, transparência e consideração. O líder tem coragem para tomar decisões impopulares e seguir a sua intuição. O líder investiga e incentiva com uma curiosidade que toca o ceticismo, assegurando que as suas perguntas são respondidas com ações. O líder incentiva a aprendizagem e que se corram riscos, estabelecendo o exemplo. O líder comemora! Porém, não se deve confundir perfis com indivíduos, tanto mais que as pessoas também exibem perfis mistos, apesar de uma orientação mais acentuada. Felizmente as pessoas são uma realidade mais complexa que as tipologias, e um gestor pode, simultaneamente, ser um excelente líder.

Cláudia Marinho Carvalho (Advogada e Coach)

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